Tour de France faz questão de nos lembrar que o homem não é máquina
As 10 primeiras etapas do Tour de France fizeram questão de nos lembrar que o ciclismo é de carne e osso, apesar do mundo dominado por fibra de carbono e metais nobres que o cerca. Os grandes favoritos foram surpreendidos não pelos adversários, mas sim pelo seu próprio corpo, que não sucumbiu a quedas, lesões, fraturas e dores insuportáveis.

Do pelotão de estrelas, Chris Froome (Sky), justamente o campeão do ano passado, foi o 1º a sair. Não resistiu ao piso molhado antes mesmo dos temidos pavés da 5ª etapa. Em dois dias, caiu três vezes e sofreu fratura no pulso. A dor foi tanta que não seguiu em frente.

Agora, Alberto Contador (Saxo-Tinkoff) também caiu na 10ª etapa, quebrou a tíbia, passou por cirurgia e, provavelmente, encerrou a temporada, pois a equipe de médicos diz que a Vuelta não deve ser considerada devido ao tempo de recuperação.

Outro ciclista que chamou a atenção por sua história foi o português Tiago Machado (Net-App-Endura), que roubou as atenções e, na edição desta terça-feira (15 de julho) do jornal L’Equipe, é tratado pelo título “Heroico Machado”. O ciclista viveu um dia de horror na 10ª etapa. Largou na 3ª colocação na geral, cheio de otimismo, mas pouco depois caiu, foi visto cambaleando e sendo atendido na ambulância. Mas, enquanto era medicado, sentiu que podia continuar e voltou para a estrada.

Machado lutou muito para cumprir os 161,5 quilômetros do percurso e cruzou a chegada em último, a 43min06 do vencedor, Vincenzo Nibali (Astana). “Não deixei de acreditar pois enquanto há vida há esperança. O que me fez seguir?! Não foi o sonho de chegar a Paris mas sim dar a certeza aos meus pais, irmãos, amigos de que se eu ia em cima da minha bicicleta estava tudo bem. Passar na zona de abastecimento e ver a minha massagista a chorar ainda me deu mais forças para continuar”, escreveu o ciclista em sua página no Facebook.

O português, inclusive, que havia sido registrado como desistente, passou por uma “repescagem”, uma forma da organização do Tour de France recompensar o seu esforço.

“Finalmente vi a meta e o tempo que ia a perder e como nunca fui mau a matemática soube na hora que não havia conseguido. Não contive a emoção e chorei. Não de dor, mas de frustração juntamente com quem me esperou por mais de 40 minutos na meta. Agradeço à organização do Tour a oportunidade de me deixar seguir em prova, aos meus companheiros que lutaram comigo, ao diretor que nunca me abandonou, a massagista que não me abandonou nem um minuto, a todos que me deixaram palavras de carinho, a minha família e amigos”, conclui o ciclista, que está na 47ª posição na geral, a 44min12s de Nibali.

   
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