Profissão mecânico: Os caminhos para se tornar um expert em bicicletas
Escolas e cursos de mecânica ganham espaço no crescente mercado de profissionais especializados
O crescimento do mercado de bicicletas no Brasil trouxe novas oportunidades para fabricantes, importadores, lojistas e também, claro, para mecânicos. Esses profissionais que colocam literalmente a mão na massa e zelam pela manutenção e pela segurança do ciclista vivem um bom momento com muitas oportunidades de trabalho.

“A ampliação da malha cicloviária nas grandes cidades é boa para todo mundo. Entretanto, a demanda por mecânicos inflacionou os salários desses profissionais. Bicicletas mais caras e com mais tecnologia exigem mecânicos qualificados”, afirma Vera Bamberg, diretora executiva da Aliança Bike, associação criada em 2005 e que reúne mais de 50 empresas do setor.

A média salarial de um mecânico varia de R$ 1.200,00 a R$ 2.500,00, dependendo da loja e da região do país. Em algumas bike shops é comum o mecânico receber um percentual sobre o valor da mão de obra, que pode superar 25% em alguns casos. “A comissão estimula o trabalho e um funcionário feliz com o salário certamente é mais produtivo”, diz Marcos Castro, proprietário da Specialized Concept Store Elite Bike, em Campinas, no interior paulista.

Mecânicos experientes e que trabalham na própria oficina têm a possibilidade de ganhar ainda mais. Profissionais especializados num determinado componente – suspensão, amortecedor ou reparo de quadros, por exemplo – são bastante valorizados no mercado e procurados para prestar serviços para outras bike shops.

“Se trabalhar direitinho, nunca faltará serviço”, garante Pablo Sani, que há 15 anos comanda a Tecno Bikes, na pequena cidade de Guabiruba, em Santa Catarina.

Formação profissional
Atentos às necessidades desse mercado, os empresários Henrique Zompero e Carlos Eduardo de Oliveira fundaram na capital paulista a primeira unidade da Escola Park Tool da América Latina. A Park Tool Company, criada em 1963 nos Estados Unidos, é referência mundial em ferramentas para bicicletas e líder mundial nesse segmento.

A aposta ousada e visionária dos empresários se revelou um enorme sucesso com mais de 750 alunos formados desde a abertura, em fevereiro de 2013.

A escola localizada na Zona Leste de São Paulo oferece cursos que atendem desde o ciclista iniciante que quer aprender o básico da manutenção, como arrumar um pneu furado e fazer ajustes gerais na bike, até os já iniciados que desejam seguir carreira na profissão. O curso de formação profissional leva cerca de seis meses e tem oito módulos, num total de 66 horas/aula e outras 40 horas do estágio obrigatório. O curso tem horários flexíveis, inclusive nos finais de semana, e varia de acordo com a demanda.

A escola já formou 15 mecânicos profissionais. “No decorrer do terceiro módulo, todos já estavam empregados”, afirma Zompero. O perfil dos formados é variado, com alunos vindos de áreas bem distintas, como informática, comércio, estudantes e também por apaixonados por bicicletas que tinham como hobby mexer na própria bike e na dos amigos e que viram na mecânica uma oportunidade profissional rentável. “Já tivemos alunos de Minas Gerais, interior de São Paulo, Rio de Janeiro, Espírito Santo e dois da Bahia. Muitos desses já abriram lojas e oficinas”, comemora o empresário.

Todos os cursos seguem o padrão de qualidade Park Tool e cada aluno recebe uma pasta-fichário para arquivar o material didático. A cada módulo completado o aluno recebe um certificado com os tópicos estudados descritos no verso e, no final do curso, é encaminhado para estágio em lojas parceiras e, então, é avaliado individualmente.

A avaliação leva 3h30, tempo similar ao de uma revisão numa bicicleta, e se aprovado, recebe o Certificado de Conclusão com o número de série registrado na matriz da Park Tool. “Já tivemos dois casos de reprovação por falta de organização e zelo com o ferramental. Ser limpo e organizado é fundamental para ser um bom mecânico”, completa Zompero.

O valor do investimento no curso profissional é de R$ 2.700,00. “Um dos conceitos que passamos aos nossos alunos é o da valorização da profissão de mecânico de bicicletas. Um profissional qualificado e especializado deve valorizar seu trabalho”, ensina.

Para quem não deseja investir tanto tempo e dinheiro, a escola oferece também módulos de especialização em freio hidráulico (10 horas), rodas (8 horas), suspensão (8 horas), transmissão (3h30) e técnicas de bike fitting (3h30) com preços que variam de R$ 300 a R$ 500.

A escola vai ganhar instalações mais amplas com o Centro de Formação Avançado, que será inaugurada na região da Avenida Berrini, na Zona Sudoeste de São Paulo. A Escola Park Tool tem uma filial em Recife (PE) com cursos de nível amador, iniciante e intermediário. Mais informações no site www.escolaparktool.com.br

Lista de espera
Outra opção para quem quer se profissionalizar na área é o curso profissionalizante criado pela Aliança Bike em parceria com o SENAI Ipiranga, em São Paulo que já formou quatro turmas desde que foi criado em 2012.

“Todos alunos formados já estão no mercado de trabalho e sempre somos procurados por lojistas e empresários à procura de mecânicos”, garante Vera Bamberg, diretora executiva da entidade que reúne as principais empresas do mercado que cedem os materiais de apoio para as aulas práticas.

A maior parte de quem faz o curso é de profissionais que já trabalham do setor ou que têm alguma relação com a bike e precisam se profissionalizar, mas há também quem faz o curso para ingressar no mercado.

O curso custa cerca de R$ 1.500,00 e dura quatro meses, com aulas de segunda a quinta-feira das 19 às 22 horas, com opção de curso somente aos sábados. As aulas devem começar em abril e há mais de 300 interessados numa lista de espera, incluindo três mulheres. Cada turma tem no máximo 14 alunos e para esse ano as bicicletas elétricas devem entrar no currículo. Os formados recebem o certificado de conclusão com chancela do SENAI. Mais informações no site www.aliancabike.org

Escola pública
Desde agosto de 2013, na cidade de Joinville, em Santa Catarina, um projeto tem dado um empurrão para alunos das escolas municipais que desejam ingressar na área. Um projeto social criado pela Federação Catarinense de Ciclismo (FCC) com o patrocínio da Tupy SA já formou mais de 130 montadores de bicicletas em cursos noturnos com duração de 15 dias ministrados pelo ex-ciclista André Samulewski. Cada turma, com no máximo 14 alunos, tem 14 bicicletas, 14 cavaletes e 14 caixas de ferramentas completas à disposição.

O curso não tem o objetivo de formar mecânicos profissionais, mas oferece a oportunidade para jovens, entre 15 e 18 anos, aprenderem a montar uma bicicleta e deixá-la pronta para rodar, com freios e câmbios regulados. A iniciativa deu tão certo que o projeto tem fila de espera e turmas mistas, com pais e alunos, poderão ser criadas. “Existe uma cobrança do público para a continuidade e criação de outros cursos mais especializados”, diz João Carlos Andrade, presidente da FCC. Mais informações no site www.ciclismosc.com.br e pelo telefone (47) 3422-0137.

Especialização
A tecnologia não espera por ninguém e um bom mecânico deve sempre estar atento aos cursos de especialização e reciclagem profissional. Muitas marcas de componentes presentes no mercado brasileiro oferecem cursos de atualização, muitas vezes gratuitamente.

Desde 2009, a Shimano Latin América promove cursos gratuitos para mecânicos que já atuam no mercado. Entre 2012 e 2013, mais de 3.600 profissionais participaram dos treinamentos da gigante japonesa. Em 2014, o Treinamento Técnico vai passar por 13 cidades do Brasil.

Os cursos são realizados em turmas de no máximo 20 participantes sempre no formato ‘mão na massa’, quando os mecânicos têm a oportunidade de manusear, consertar e efetuar a manutenção de componentes Shimano. Para participar, o profissional deve estar registrado e empregado em uma loja de bike com CNPJ válido. Além disso, o interessado tem que fazer um cadastro no site http://s-tec.shimano.com/region e atender alguns requisitos para ser selecionado.

Outra empresa que investe no treinamento de profissionais é a Proparts, importadora oficial para o Brasil das marcas RockShox, Mavic, SRAM, Avid, Truvativ, Cane Creek e Stan’s No Tubes entre outras.

Desde 2010, a empresa conta com um centro de formação que já formou mais de 450 profissionais entre lojistas e mecânicos. Para 2014, a expectativa é de que 150 profissionais participem dos cursos que serão ministrados em São Paulo, Florianópolis, Goiânia e João Pessoa. O treinamento dura três dias e é exclusivo para lojistas e revendedores autorizados Proparts, com uma carga horária de 20 horas/aula e incluem teoria e prática.

Os cursos são pagos e os preços variam de acordo com o conteúdo e apenas lojistas e revendedores autorizados Proparts podem participar e tornarem-se oficinas certificadas. Mais informações no site www.proparts.esp.br/centro-de-formacao-proparts.
Competição
Ser mecânico de uma equipe de competição exige, além de experiência, muito jogo de cintura, agilidade e capacidade de improvisação. É o que garantem Pablo Sani e Evandro “Coquinho” de Souza Oliveira, mecânicos experientes de equipes profissionais de ciclismo.

“Eu era ciclista e todo ciclista tem que saber um pouco de mecânica. Trabalhei em Assistência Técnica da Caloi e fui aprendendo muitos macetes nas corridas”, afirma o uruguaio Pablo Sani, que tem oficina há 15 anos em Guabiruba (SC) e trabalha para a equipe DataRo. A rotina de um mecânico de competição é bem diferente de um mecânico de oficina.

“Na oficina você conta com todas as ferramentas e tempo para resolver um problema, numa corrida isso é raro. A gente tem que se virar com o que tem na caixa de ferramenta. Muitas vezes estamos disputando uma volta e no outro dia cedo tem que estar tudo pronto e perfeito. Não temos segunda chance. É mais estressante e complexo”, relata.

Outro diferencial dos mecânicos de competição é que estão sempre em contato com o que há de mais moderno em termos de equipamento.

“É preciso estar sempre atualizado. Uma das vantagens da competição é que ela nos coloca em contato com novas tecnologias. Trocamos muita informação com mecânicos de outras equipes quando viajamos, e isso ajuda muito no dia a dia”, completa.

Evandro Souza tem 25 anos de experiência e atua como mecânico da Seleção Brasileira, com participação em três Jogos Olímpicos, quatro Jogos Pan-Americanos e diversas outras competições no Brasil e no exterior. Coquinho começou sua carreira em 1989 na linha de produção da fábrica da Caloi, em São Paulo. Nos momentos de folga ajudava na seção mecânica de bicicletas, onde aprendeu bastante. Mais tarde ingressou para o serviço de assistência técnica da empresa. Sua primeira corrida como mecânico foi na Volta a Santa Catarina para a equipe Caloi, onde permaneceu até 2007.

“Um mecânico de competição tem que ser ágil e saber improvisar com o que tem na mão. Assim como os ciclistas sofrem com a tensão pré-prova, nós também sofremos. Um atleta pode perder uma medalha numa olimpíada ou num campeonato. Existe sempre o receio de espanar um pinhão fixo, ou soltar um tubular, pois os atletas são muito fortes”, conta Coquinho.

VIRTUDES DE UM BOM MECÂNICO
Um bom mecânico tem que ter algumas virtudes. Conversamos com alguns mecânicos e compilamos as dicas abaixo:

Ser limpo e organizado
Estar sempre disposto a aprender
Ser responsável
Ser atencioso com os clientes
Ser honesto
Texto de Marcos Adami – Bikemagazine
Reportagem publicada com a autorização da revista Bike Action

Fotos de divulgação

 
 
   
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