Pelos (poucos) velódromos do Brasil
Marcos Adami /Do Bikemagazine
Fotos Bikemagazine e de divulgação
Publicado com autorização da revista Bike Action

O velódromo de Indaiatuba na foto de Eliandro Figueira – SCS/PMI

Faltando menos de um ano e meio para a realização dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, o Brasil ainda não tem nenhum velódromo em condições de receber eventos de nível internacional. O país do futebol, que recentemente investiu bilhões na construção de 12 estádios, parece não entender a importância desse equipamento fundamental para o desenvolvimento do ciclismo.

O ciclismo de pista, considerado a “mãe de todas as modalidades”, é a que mais rende medalhas olímpicas. Infelizmente, velódromos no Brasil são tratados com imenso descaso inclusive pela entidade máxima do ciclismo, a Confederação Brasileira de Ciclismo. Procurada pela reportagem, a CBC informou que não tem detalhes dos poucos que existem em atividade no Brasil e nem ao menos forneceu fotos de divulgação desses equipamentos. Apenas para termos de comparação, a Grã-Bretanha tem 23 velódromos, o Japão 47, a Austrália 20 e nossa vizinha Argentina conta com mais de 30 velódromos em atividade.

O cenário para 2016 é pouco animador e só por um milagre conquistaremos nossa primeira medalha olímpica no ciclismo. O ciclismo de pista brasileiro tem sobrevivido a duras penas mas, nesse ano, conseguiu pontos suficientes para participar da Copa do Mundo da modalidade, classificatória para os Jogos do Rio 2016. Os atletas Flávio Cipriano, Diefferson Borges, Kacio Freitas e Gideoni Monteiro, enviados para o Centro Mundial de Ciclismo da UCI, na Suíça, para programa de intercâmbio, representaram o Brasil nas três etapas (México, Inglaterra e Colômbia).

Ciclistas testam a pista do novo velódromo em Indaiatuba Foto: Marcos Adami

INDAIATUBA
Na contramão dessa triste realidade existem algumas poucas iniciativas que apostam na construção desses equipamentos. Uma delas é a cidade de Indaiatuba, a 110 km de São Paulo, que concluiu com sucesso a primeira fase das obras de seu velódromo municipal em outubro.

O velódromo é aberto, sem cobertura e sem iluminação. A pista tem 250 metros e paredes de até 43º de inclinação. No ponto mais alto da curva, a altura em relação à parte plana é de 6,8 metros. A pista tem um total de 11,70 metros de largura, sendo 4 metros de área de escape. O equipamento, ainda sem nome oficial de batismo, fica localizado numa parte nobre da cidade.

Na primeira fase das obras, o Ministério do Esporte repassou R$ 975 mil, que foi somado à contrapartida do município. No total, foram gastos R$ 1,3 milhão. Na segunda fase, já iniciada, serão mais R$ 4,6 milhões (R$ 4,2 milhões do governo federal) para a conclusão do projeto, que inclui uma arquibancada coberta com capacidade para mil pessoas e instalações para os atletas, além de sanitários, ambulatório, lanchonete e outras salas para administração. As estruturas seguem os parâmetros estabelecidos pela UCI e a segunda fase deve ser entregue em 2016.

“Nosso objetivo é a construção de um legado dos Jogos 2016. Buscamos a vocação das cidades para incentivar alguns esportes, como é o caso de Indaiatuba, que tem uma grande tradição no ciclismo”, conta Ricardo Leyser, secretário de Esporte de Alto Rendimento do Governo Federal.

Velódromo de 1892 construído na região central de São Paulo Foto: reprodução

DETERIORAÇÃO
O primeiro velódromo do Brasil foi construído em 1892 e ficava onde atualmente é a Rua da Consolação, na Zona Oeste da cidade de São Paulo. Em 1901 o Velódromo Paulistano virou estádio de futebol. Em 1963, a cidade ganhou o velódromo da Universidade de São Paulo (USP) para receber os Jogos Pan-Americanos. O descaso mais uma vez falou mais alto e o velódromo da USP está sem condições de uso desde o final dos anos 80. Recentemente, uma campanha criada por ciclistas e amantes do esporte tenta encontrar condições para sua reforma.

Velódromo olímpico do Rio de Janeiro, o único coberto, que foi demolido em 2013 Foto: arquivo

Ainda pior que o velódromo abandonado da USP é caso do velódromo olímpico do Rio de Janeiro, que foi construído na Barra da Tijuca para receber os Jogos Pan-Americanos de 2007.

Passado o evento no Rio, o equipamento construído por uma empresa da Holanda ficou praticamente abandonado e, após receber umas poucas competições, foi demolido em 2013 por não atender aos padrões da UCI para receber os Jogos Olímpicos de 2016 e assim o País do futebol perdeu seu único velódromo coberto.

De acordo com a União Ciclística Internacional, a inclinação da pista estava fora de conformidade com o padrão olímpico e, além disso, tinha colunas que atrapalhavam a visão do público e dos árbitros, e não atendia o número mínimo de assentos para o público

Vasconcellos, presidente da CBC, com o presidente da UCI Brian Cookson na visita às obras

VELÓDROMO OLÍMPICO
Um novo velódromo começou a ser construído no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca. O equipamento fica ao lado dos três Halls Olímpicos, do Parque Aquático Maria Lenk e do Centro Olímpico de Tênis, e faz parte do primeiro Centro Olímpico de Treinamento (COT) do país. Será o mais moderno da América do Sul, com 5 mil assentos fixos e até 800 lugares temporários.

Projeto do velódromo olímpico para os Jogos Rio 2016

O velódromo olímpico tem orçamento previsto de R$ 136,9 milhões de reais, quase 10 vezes mais caro que o velódromo do Pan, que saiu por pouco mais de R$ 14 milhões. Em fevereiro, em companhia do presidente da Confederação Brasileira de Ciclismo (CBC), José Luis Vasconcellos, o britânico Brian Cookson, presidente da União Ciclística Internacional (UCI), visitou as obras. Veja aqui

VELÓDROMOS PELO BRASIL

Pista de 250 metros foi entregue em Indaiatuba (SP)

Indaiatuba, SP – O mais novo velódromo do Brasil tem pista de 250 metros que foi concluída em outubro do ano passado. Conta com túnel de acesso à pista e deverá ser entregue em 2016.

Velódromo no Jardim Botânico de Curitiba (PR)

Curitiba, SP – Na capital paranaense, o velódromo com pista descoberta de 333,33 metros fica no Centro Esportivo Municipal, no Jardim Botânico. Inaugurado em 1979, recebeu reformas para sediar os Jogos Sul-Americanos em 2002. Atualmente recebe algumas provas e mantém atividades voltadas a novos talentos. O Clube Educacional da Bicicleta funciona todos os dias das 9 horas ao meio-dia e das 13h30 às 17h30.

Velódromo em Caieiras, na Grande SP Foto: Milton Jung

Caieiras, SP – Inaugurado em 2003, o Velódromo Municipal de Caieiras, na Grande São Paulo, tem pista de concreto de 250 metros e já recebeu provas importantes do calendário nacional. Em 2011, deixou de ser administrado pela Federação Paulista de Ciclismo e desde então a degradação pela falta de manutenção é evidente.

Velódromo de Maringá (PR)

Maringá, PR – Inaugurado em junho de 2008, tem pista de 250 metros de concreto e iluminação. O equipamento é parte integrante do Complexo Olímpico de Maringá. Em julho de 2014 recebeu o Campeonato Brasileiro de Pista.

Velódromo em Americana (SP)

Americana, SP – Fica junto ao Conjunto Poliesportivo Ayrton Senna da Silva e é utilizado por algumas equipes de ciclismo do interior paulista e por ciclistas avulsos. Tem pista descoberta de cimento de 333,33 metros em condições razoáveis de uso.

 
   
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